18 junho 2008

Reportagem: Festas reúnem adeptos à troca de casais

O erotismo está à flor da pele dos praticantes do swing. A troca de casais está aos poucos deixando o círculo da Internet, onde comumente são acertados os encontros, para ganhar espaço nas festas realizadas com o único propósito de reunir adeptos da prática do swing. Só este ano, já foram promovidas duas festas em Aracaju e mais duas estão na reta de produção. Como numa sociedade secreta, o acesso só é permitido com a indicação de um outro casal praticante. A última delas, realizada em junho, num endereço na região do Mosqueiro (Brasil), reuniu 40 casais.



“Quando começamos a promover os encontros, há cerca de cinco anos, atraíamos no máximo dez casais. Hoje reunimos entre 30 e até 40”, disseram Sheila e Charles, nomes usados pelo casal pioneiro na realização de festas desse tipo em Aracaju e donos do único site sergipano voltado para esse público. Hoje ela estima que existam em Aracaju cem casais adeptos da prática, mas desses apenas um terço freqüenta os encontros. Os demais buscam casas de swing em outros Estados ou preferem os encontros fortuitos acertados nos sites de relacionamento. O site dela tem mais de 3.500 anúncios de casais de todo o mundo se oferecendo para a prática do swing. São homens e mulheres de todas as idades, embora a faixa predominante hoje varie entre 25 e 35 anos.

Prazer e Ciúme

Não foi Sheila e Charles que promoveram a última festa, mas Beth e Barney (assim são conhecidos no meio), um casal bem jovem que aparenta no máximo 28 anos. Eles adentraram nos rumos do swing há três anos e meio por curiosidade. “Morávamos em Salvador e tínhamos uma amiga que nos falou do assunto. Atiçou a curiosidade e fomos atrás de mais informações na Internet. Criamos um MSN só para isso, até que nos enchemos de coragem e fomos a uma casa de swing em Salvador. Não foi legal. Rolou muito ciúme. Depois, nas próximas, fomos nos soltando”, relatou Beth.

O ciúme também incomodou o casal Sheila e Charles nas primeiras experiências. “Quando você vê pela primeira vez o seu parceiro com outro rola uma mistura de prazer e ciúme. Depois acaba se acostumando, pois como há confiança entre o casal, sabe que aquela relação é apenas para obter prazer, liberar as fantasias e acaba ali, não tem porque ter ciúme”, falou Sheila, uma loira alta de olhos bem azuis. Ela é casada há cinco anos com Charles, um moreno alto, forte e de falas articuladas.

Festas sem lucro

Segundo Sheila e Beth, as festas não têm fim lucrativo, mas visam apenas reunir os adeptos dessa prática sexual. O passaporte do casal custa em média R$ 40, com direito às bebidas e aos frios servidos no local do evento. Nos grandes centros, as festas geralmente são realizadas em casas de swing (Salvador tem três) e nessas o lucro é o objetivo central. “O intuito das festas que fazemos aqui é para promover o encontro dos casais que assim como nós curtem essa opção. É uma espécie de confraternização onde o dinheiro que arrecadamos com a venda dos passaportes serve para custear o aluguel da casa e comprar os comes e bebes”, falou Sheila.

As festas de swing geralmente ocorrem em casas espaçosas e em bairros mais distantes. O endereço onde aconteceu a última só Beth, Barney e os adeptos sabem. Os promotores apenas disseram que foi na região do Mosqueiro. O som geralmente é mecânico e o freezer aberto, sem necessidade de garçons. Eventualmente, contrata-se um garçom “pessoa do meio”, destacou Beth e Barney.

Mas é Sheila e Charles que descrevem o cenário da festa: há um local para dança, onde geralmente alguém, que queira, faz strip-tease, para descontrair o ambiente. Há mesas espalhadas pelas varandas onde os casais conversam abertamente sobre suas fantasias. Acaba que aqueles que têm intimidade e química trocam carícias. Uns ficam só olhando, sentindo prazer em ver o parceiro ou a parceira com outra e há aqueles que se excitam e se iniciam no jogo sexual ali mesmo, no salão. Tem também os quartos, para os que preferem ir para a intimidade e ainda aqueles que preferem aproveitar a noite em um motel. O lugar é um espaço liberado.

Os riscos

Liberação em tempos de Aids é algo perigoso. “Os riscos existem a partir do momento em que eles não se preservam”, disse a sexóloga Nairete Correia. “A gente recomenda o uso do preservativo, mas não podemos obrigar ninguém a usar”, disseram Beth e Barney. “No local das festas, as camisinhas masculinas são espalhadas em vários pontos da casa”, complementou Sheila.

No ambiente onde sexo é liberado e todos podem andar nus, os inconvenientes são comuns, mas nada que não seja facilmente contornado, segundo Sheila e Charles. Isso em Aracaju, onde as festas reúnem apenas gente conhecida e indicada por algum adepto. “Às vezes o cara chega e insiste. Mas basta um olhar de socorro meu para ela ou dela para mim que um vem ao encontro do outro para desfazer o inconveniente”, disse Charles.

O risco de se expor ou de acabar com o relacionamento também não está descartado. Nos encontros acertados através das redes virtuais de relacionamentos o risco da exposição é bem maior, embora nas festas o perigo de encontrar ou de vir a ser reconhecido na rua também está presente. “Eu costumo sempre dizer aos casais que estão iniciando. Se estão em crise, querendo fugir da rotina, nem pensem em fazer o swing. Swing não é válvula de escape ou salvação de casamento de ninguém, muito pelo contrário. Para participar, precisa estar muito seguro e muito bem com o parceiro. Confiar nele e, sobretudo, ter mente aberta”, falou Sheila.

As regras

O evento tem regras. Só entram nas festas casais estáveis. Solteiros, sozinhos ou acompanhados de garotas de programa, jamais. Os casais podem até virem acompanhados de uma mulher, chamada no meio de Pookemoa. Já um acompanhante do sexo masculino, nunca! “As mulheres são mais cautelosas, não vão sair comentando o que fizeram ou o que aconteceu. Já o homem, não, geralmente não tem esse escrúpulo e pode sair falando”, explicou Charles.
Para poder participar da festa, é preciso ser indicado por um casal que já é do meio. Mas, há um jeitinho de escapar dessa regra. “Se uma pessoa liga querendo participar, a gente conversa muito, até marca um encontro, e como já estamos no meio há um bom tempo dá para saber se são casados, se têm uma relação estável ou se é alguém querendo ir levando uma garota de programa. A gente percebe. Se for solteiro e quer ir com uma namorada nova, sem estar seguro de que é isso que quer, não entra”, falou Sheila.

Swings são encontros secretos e planejados

Quando se fala em swing, há quem associe imediatamente ao escritor francês do século XVIII, o marquês de Sade. Famoso pelos contos eróticos e libertinos que escreveu e pelo sadismo, ficou conhecido também como o marquês do erotismo. Mas para o historiador Fábio Maza, estudioso da literatura moderna e contemporânea e especialista nas obras de Sade, não há relação alguma.

“Do ponto de vista casal fixo, não vejo relação. Em Sade não existe relacionamento marido/mulher e o swing não existe nas obras dele. A associação que pode se fazer é pelo fato de o swing ser algo secreto e planejado”. Ele falou que o escritor libertino narra em seus contos orgias praticadas em sociedades secretas de forma bem ordenada e planejada, a fim de possibilitar uma maior fluidez dos instintos sexuais e, portando, do prazer. No swing, os encontros também são planejados e de forma bem oculta para que seus adeptos não se mostrem à sociedade.

Para ele, os swings de hoje não são novidade, pois já existiam em épocas distantes. “São fantasias sexuais que já existiam no passado, o marquês de Sade é um exemplo, que era uma experiência muito além da ménage e da troca de casais, mas que já existia e refletia, na época de Sade, práticas que já existiam na sociedade francesa e na inglesa”, falou.

2 comentários:

Anónimo disse...

Estamos vivendo o melhor do século e ainda se falam em trocar as mulheres aquela pessoa que cuida de você e seus filhos com respeito. Eu quando quero uma putaria eu vou buscar de maneira mais correta possivel, ou seja vou procurar um prostíbulo e não levar a minha esposa para outro encher ela de porra sei lá de onde vem e quantas dsts esta porra tem, será que sou um cara quadrado como gostam de chamar este tipo de pessoas ou estou falando a verdade mas vocês não querem assumir ou dar houvidos.Me poupe acho que a mulher que se propoe a ser esposa de um indivíduo deste, ela deve ser a pior das piores esposas que o universo já viu. Eu sou do tipo que tudo que vem na bandeja de graça e não foi ganhado na raça, ao comer ou beber acontece uma desgraça, Pense nisto.

Anónimo disse...

Alem do mais só aceitam comentários se for para falar bem ou seja aceitar as babaquices destes taradões de 50