25 junho 2004

-- artigo sobre swing --



Verifica-se ultimamente, por parte da comunicação social, um crescente interesse quer pelo "swing" quer pelos swingers. Veja-se como exemplo o último artigo saído a público, na revista "Focus", edição nº 103, assinado por Nuno Perestrelo, Paulo Caetano e Rita Garcia.Talvez por ser um tema ainda polémico na sociedade portuguesa, ser matéria vendável ou ainda, como em alguns casos se pode subentender, por poder estarem associados outros dividendos que não o swing, nunca até à data estes artigos se basearam em bases sólidas de conhecimento e imparcialidade jornalística, originando dessa forma que o produto final não seja mais que uma narrativa de perfeitos disparates. Até se entende o interesse jornalístico pela matéria como meio de informação, no entanto, informação não é sinónimo de desinformação!!!... E quando se escreve qualquer matéria, nomeadamente sobre este tema, convém que os seus autores façam um trabalho sério no levantamento prévio do seu historial e ainda, de bases que sustentem tais escritos. Os swingers não se insurgem que se faça um trabalho capaz sobre swing, não gostam é de ver um assunto que lhes toca directamente ser colocado publicamente das formas levianas como se tem verificado. Ou se é ou não capaz e quando não se é, simplesmente... abstenham-se.Analize-se pontualmente: O swing, conforme pode ser consultado em inúmera literatura e sites pela net, sendo este mesmo um bom exemplo nos textos que possui, não teve a sua origem nem foi batizado na década de 60. A palavra swing, como definição para troca de elementos entre casais, aparece já em escritos de 1928 (Vidas - H.O. Jones), e o swinging é tão velhinho que, embora não como hoje, já remonta a pelo menos 3.000 a.C. Em portugal, de facto o swing propagou-se de norte para sul mas, não como também foi descrito.Contando a verdadeira história:Um casal estrangeiro comprou uma quintinha no "distrito de Viana do Castelo" (não em Viana do Castelo) e optou pelo nosso país para viver. Isto remonta à cerca de 40 anos. Como meio de fuga ao desterro onde então a dita quintinha ficava situada, para convívio e também tendo como objectivo o ficarem a conhecer a comunidade que os cercava, organizavam festas com alguma assiduidade. Numa destas festas ficam muito amigos de mais dois casais da região e em determinada altura, em conversa, abordam as fantasias sexuais. Como se subentende, mais tarde a conversa deu origem à prática.Foi ainda bem mais tarde que o grupo dos três casais cresce iniciando-se, por casualidade e não por opção, jantares em determinados restaurantes do distrito onde eles conviviam alegremente, sempre com o cuidado de não deixarem transparecer nada para o exterior. Os jantares cresceram tanto no número de entusiastas como no número dos grupos, a saber... ainda hoje se relizam.Relativamente aos locais de encontros, os apontados são muito recentes e de modo nenhum correspondem à sua totalidade. Existem inúmeros espalhados por todo país e onde se destacam, só no circuito do Porto uns 6, mais para norte 8, norte interior 2, centro 1 e sul 7. Destes números apontados, os mais antigos são 3 no norte e existem à mais de 14 anos. Sobre o referido bar em espanha, só muito raramente aparece alguém do norte, ao contrário do que foi afirmado. A nível nortenho, isto com conhecimento de causa, os swingers optam pelos locais da região ou, também muito muito frequentes, quase semanais, por festas particulares. Sobre à classe social que compõe os swingers, mais uma vez o afirmado não corresponde à verdade. Esta vai desde o simples operário à classe política. As diferenças económicas, na convivência entre estes swingers, nunca teve qualquer importância. Mais, no convívio os swingers já com alguma experiência e maduros no assunto, evitam abordar temas como: trabalho, problemas económicos e política, evitando assim que não hajam focos de discórdia e passiveis de fomentar maus ambientes. Finalizando: - A descrição é algo que eles defendem e prezam por razões óvias. Mesmo os casais novos que manifestam interesse em se associar, são muito estudados pelos restantes, sendo factores imprescindíveis o caracter, higiene, o cuidado com a saúde e, mais concretamente, a certeza da manutenção na insenção de doenças infecciosas como a sida.- O número apontado de 100 casais swingers portugueses não poderia estar mais longe da verdade ... muito mais que esse número existe só na zona norte do país. Um pouco de história:Ao longo da história, como podem ler quer em textos existentes neste próprio site quer como em inúmeras obras literárias, o sexo e a espiritualidade nunca foram bom parceiros de cama. Enquanto algumas religiões da antiguidade (e não só) incluem a sexualidade nos seus ritos, outras procuram controlá-la ou, ainda mais grave, levá-la para o campo do obscurantismo.Por volta de 3.000 a.C., os Sumérios encenavam ritualmente o Casamento Sagrado - a união entre uma sacerdotisa da deusa Inanna e um sacerdote-príncipe, como meio de obter favores da deusa para as suas cidades.Na Grécia esse tipo de sexo ritual teve continuidade e era chamado de "Hiero gamos", que consistia na tradicional reconstuituição do cassamento da deusa do amor e da fertilidade com o seu amante, o jovem e viril deus da vegetação. Existem várias fontes antigas que sugerem que este tipo de práticas também deveria fazer parte dos mistérios de Eleusis, dedicado à deusa Deméter, existindo ainda evidências de que este rito também fosse praticado pelos Egípcios no culto a Ísis e que tenha permanecido até à era Romana.Ainda e no Médio Oriente, também era comum a prática da prostituição sagrada, pela qual os homens visitavam templos, onde tinham relações sexuais com o objectivo de comungar com uma deusa em particular. A prostituta sagrada encarnava a deusa, tornando-se assim responsável pela felicidade sexual, "a veia através da qual os rudes instintos animais são transfromados em amor e na arte de fazer amor" (A prostituta Sagrada - Editora Paulus).Antes do Swing ... (Trabalho feito por Amora e colhido do antigo site do swplace)O sexo foi desde sempre um vínculo natural: comemos quando temos fome e ficamos satisfeitos, dormimos quando estamos cansados e acordamos refeitos, mas quando alcançamos um orgasmo experimentamos um êxtase físico e mental completo. Daí que para os nossos antepassados considerarem esses sentimentos oriundos dos Deuses e usá-los para comunicar e adorar esses mesmos Deuses foi um passo óbvio.As pinturas rupestres não deixam dúvidas de que desde a pré-história as tribos usavam o acto sexual nas suas celebrações ritualísticas. Testemunhavam a sua reverência ao útero, à fertilidade das mulheres, e à sua capacidade de gerar a vida. O sexo era algo de mágico, supremo, o elo de comunicação entre a humanidade e algo superior.Quando o homem percebeu que o falo erecto, fonte de tanto prazer pessoal, era, na verdade, parte altamente poderosa e importante em todo o ciclo de fertilidade começou a manobrar a grande virada do sistema matriarcal, em que o útero era a cálice sagrado, para o sistema patriarcal, transferindo o culto do útero para o culto do falo. Assim o homem e a natureza iam celebrando a fecundidade da terra, em rituais de sexo, nascimento e nova vida. Homens e mulheres participavam na exuberância da natureza ao ansiarem unir-se e reproduzir-se.Aproximadamente dez anos antes de Cristo, de acordo com Heródes, as jovens esposas da Babilónia adoravam a deusa Mylitta indo ao seu templo pelo menos uma vez na vida fazer sexo. Os gregos celebravam também as suas festas de sexo com expressão a nível nacional, chamadas: Afrodisia, Dionysia, e Lenea. Em todas elas a população fantasiava-se, marchando pelo campo e pela cidade até altas horas da noite, altura em que se iniciavam as orgias pelas ruas. Os povos aborígenes do Taiti e da Ilha Vakuta tinham inúmeros lugares próprios para a pratica de sexo em público.Intrigantemente nestas sociedades a abundante veleidade sexual e a escassez de comida levava as pessoas a praticar sexo em público e a comer as suas refeições em segredo.No reino de Augusto César, centenas de Romanos membros do culto Bacchus celebravam orgias nunca menos de 5 vezes por mês. Mesmo depois da queda de Roma a Europa pagã continua alegremente a praticar rituais de orgias, em festivais como “Beltane” e a “Festa dos Tolos”.Só com o surgimento do Cristianismo e dos discursos sobre a moral estas manifestações expontâneas de sexo começam a ser reprimidas. Podemos, talvez, definir como marco da primeira tentativa de regular a sexualidade, o episódio em que Deus aparece a Abraão, ordenando-lhe que levasse a sua mulher, Sara, e seu sobrinho Lot para Canaan, terra que lhes oferecia para fundarem uma grande nação. Canaan, conhecido agora como Terra Santa, já estava habitada por povos em que abundava a luxuria e o sexo, e eram vistos como reles pecadores contra o Senhor, e portanto eram, menos merecedores do território do que os novos chegados da Babilónia. Em troca de Canaan, contudo, Deus requereu um sacrifício a Abraão e aos seus seguidores: o corte duma parte do pénis em circuncisão, como mensagem original de que o sexualidade é propriedade do poder moral ao qual se deve obedecer. Desta forma Deus deu a primeira lição sobre a moralidade usando-a como justificação e inspiração para a invasão e conquista do território. Mas é na Idade Média que se vai construir a visão mais negativa de sempre sobre a sexualidade, assente no primado da virgindade. Como justificação para a “permissão” da prática de sexo a generalidade dos padres admitiam, a custo, a procriação como único e essencial fim do casamento. Vejamos o testemunho de alguns Santos Padres: S. Paulo “O casamento serve de refúgio sobretudo para aqueles que não são capazes de se manter em virgindade. O casamento é bom; e a virgindade é portanto ainda mais admirável, pois é ainda melhor. Clemente Animado pela repulsa que atravessa toda a igreja antiga, vem dizer: “É preciso limitar o acto sexual, proibindo-o em numerosos dias: domingos, dias de festa, dias santos, durante o dia, etc.... S. Geronimo “A virgindade permite total consagração ao serviço de Deus na pureza do espirito e do corpo. O casamento é tão só tolerado, mais vale casar-se do que arder, do mesmo modo que mais vale perder um olho do que perder ambos os olhos”. Com o desenvolvimento da teologia judaica e cristã, foi surgindo um código ético limitando moralmente as actividades sexuais aceitáveis no leito matrimonial, sendo pecaminoso qualquer desvio desta limitação. Contudo, a partir do século XVIII, há uma proliferação de discursos sobre o sexo. Foi a Igreja Católica, com a Contra Reforma que deu inicio ao processo de incitação dos discursos sobre sexo ao estimular o aumento das confissões ao padre. As “insinuações da carne” têm de ser ditas em detalhe, incluindo os pensamentos sobre sexo. O bom cristão deve procurar fazer de todo o seu desejo um discurso. E parece que desta forma surgia um novo prazer.... O prazer de ouvir e o de contar!No inicio do século XX, deu-se uma revolução na forma como as mulheres se viam e insistiam em ser vistas pelo homem. Pela primeira vez pedem a igualdade em todos os aspectos da vida, quebrando todos os papeis estereotipados. A introdução dos meios eficazes de controle da natalidade e a independência económica que ela conquista, fazem-na tomar consciência do seu corpo e da revelação de inúmeros prazeres.... Esta nova realidade vai desencadear por volta dos anos 60 uma verdadeira revolução sexual nos Estados Unidos. Nos anos sessenta o sexo passa a estar na moda, surgem máximas como “Sex Machine”. Vagina e pénis eram utensílios dos quais não se deve ter medo nem reprovar. Não havia lugar para as inibições. Na década de setenta surgia um forte movimento de reivindicação de relações extra conjugais entre casais.Em 1975 o psicólogo Lake escreve “Não há dúvida que a vida de uma grande proporção de homens e mulheres casados se tem visto enriquecida graças a relações sexuais secretas”. Jorge O`Neill acrescenta “A fidelidade sexual é o falso Deus dos matrimónios tradicionais.” A ideia subjacente a esta prática é que a verdadeira fidelidade consistia em admitir e pôr em prática as mais secretas fantasias sexuais, compartilhando-as com o seu par, mesmo quando elas passam pela alternativa de manter relações sexuais com outras pessoas. Os que admitem esta possibilidade designam-se por Swingers. Estas experiências de grupos com troca de casais apresentam certas regras:1. A simples troca de casais entre quatro pessoas, heterossexuais, que apenas compartilham o seu par por um período determinado, respeitando a privacidade.2. Quatro pessoas que mantêm relações sexuais no mesmo espaço físico, podendo haver combinações eróticas, que dependem da imaginação, mas apenas incluí relações homossexuais femininas.3. Triângulo, no geral formado por um homem e duas mulheres, embora seja comum incluírem também outro homem.4. Reuniões onde se pratica sexo em grupo heterossexual e homossexual.Em todas estas variantes existe uma restrição comum, não deverão haver relações sexuais com outras pessoas fora do jogo consentido entre o casal.SWINGNesta conjuntura poder-se-á entender que o Swing não é nada historicamente irregular. Talvez seja, antes, algo correctamente invulgar... É mais um movimento que surge como evolução natural da expressão da sexualidade humana, tendo como fundamento o envolvimento sexual em grupos, orgias, e à de troca de casais, prática esta que tem sido historicamente mais discreta. É uma forma de convívio sexual entre adultos, casados, ou pelo menos com uma vida em comum, que decidem pôr de lado as inibições para explorar a sua sexualidade, dando vida ás fantasias, compartilhando a sensação de inúmeros prazeres novos com o seu par.Sendo o Swing antes de mais uma actividade social, os hábitos de cortesia não são diferentes de outro tipo de encontros sociais. A delicadeza é muito importante, assim como o tacto para perceber se há reciprocidade da outra parte. Se não sente vontade de estar com certa pessoa, e ela ainda não o entendeu, diga-lho de forma delicada. A outra pessoa apenas terá de aceitar educadamente o seu não, e sobretudo não perguntar porquê para evitar situações embaraçosas.Para quem se inicia no Swing existirão certamente algumas dúvidas e receios. A boa comunicação e entendimento entre o casal é fundamental, para definirem, e manterem em mente o que pretendem na sua relação Swinger. O Swing tende a funcionar bem quando é encarado como um incremento à relação sexual do casal e não como o salvamento para um casamento problemático, pois é importante lembrar que o sexo tende potencialmente a ser uma área emocional, e o prazer que se pode encontrar no Swing geralmente apenas é alcançado quando ambos estão atentos ás necessidades de cada um, e colocam o conforto do seu parceiro em primeiro lugar.Provavelmente será mais fácil iniciar o seu relacionamento neste meio conhecendo primeiro um casal que depois vos possa apresentar a outros. Quando estiver com outros casais, lembre-se que é importante manter-se perto do seu parceiro e ir prestando-lhe pequenas atenções, para que o seu par não se sinta abandonado, inseguro, ou ciumento. O Swing pode assumir várias formas ou modalidades, seja qual for a escolhida estará tudo bem enquanto o casal estiver em sintonia e certo de que está a fazer o que realmente pretende.


artigo mt interessante, integralmente copiado do site: http://swplace.home.sapo.pt/swinging/artigo3.htm

2 comentários:

Ana disse...

Interessante.
Coloquei um post sobre isto no meu site
http://topswingportugal.blogspot.com
Agradecia que colocasse aqui um link de retorno pra o meu site.
Obrigado

Anónimo disse...

Adoro